Covers, Versões, Regravações e Releituras

Covers, versões e tributo, o kit inicial de muita banda que começa a tocar.

Uma coisa que talvez tenha se perdido no tempo eram as “fitas raras” – vinil ou até CD. Normalmente eram gravações da pior qualidade imaginável, produzidas em fitas mais do que regravadas, com mais chiado que música. Eram tratadas como receptáculos do santo graal, passadas de mão em mão tal qual objeto de uma seita secreta.

Perdi as contas da quantidade de fitas K-7 guardadas porque tinham uma versão que nunca achei em outra fonte. Mas assim, só pra comentar, eram fitas com só UMA música, total desperdício de espaço, inclusive. As últimas fitas foram para as cucuias na primeira mudança – na época, digníssima achou uma caixa de papelão e ao se deparar com o conteúdo, fez apenas uma declaração: “A gente não tem nem toca-fitas. O que você vai fazer com isso?” Tive que me desprender e dei tudo para meu pai… Junto com uma caixa de disquetes (!!!).

Covers sempre me chamaram muita atenção; cover, versão, regravação, interpretação ou seja lá como você quiser chamar. Bandas inesperadas fazendo versões de músicas inusitadas sempre me geraram o fator “caral**!!”, sabe? Você coloca a mídia para tocar, aperta o play, a música começa e você fala “caraaaaal**!!” Imagino que a minha cara deva ficar assim:

Sim, eu ainda faço referências ao Nicolas Cage!

Hoje em dia é tranquilo achar música cover, não faltam listas fazendo apanhado com Top 10, provavelmente se você abrir o Buzzfeed agora vai achar uma. Se não for assim, uma pesquisa rápida no Google já resolve o problema. Mas, antigamente, eu só ficava sabendo de versões bizarras das mãos de quem ouvia a banda. Para ouvir preciosidades como a infame participação do “Pavarotti” em Roots Blood Roots eu tinha que ir até a casa do amiguinho. Não sabe do que to falando? Olha ai…

Durante muito tempo acreditei piamente que isso era verdade. Mas a resposta só me veio em tempos de internet: é uma versão da banda alemã JBO.

Vamos definir uma coisa. O que é cover?
De acordo com um dicionário genérico – no Aurélio aqui de casa não tem:

Cover

substantivo masculino e feminino – Pronuncia-se: /câvar/.

Pessoa (ou grupo de pessoas) que apresenta imitações de um(a) artista, um(a) cantor ou banda famosa.

Etimologia (origem da palavra cover): do inglês cover.

Basicamente seria um segundo artista regravar a música de alguém, seja lá qual for a intenção. Antigamente era muito comum fazer cover para conseguir ir na onda de alguém, gravar uma música igual ou muito parecida para conseguir espaço na mídia, no geral o rádio. Como no final todo mundo e cópia da cópia acho que não precisamos de muitos exemplos.

Pra mim, cover é meio que tentar chegar próximo à obra original. Já versão seria dar uma cara autoral a um título conhecido. Mas, no final das contas, eu coloco tudo dentro do mesmo saco. Inclusive, antigamente eu fazia uma outra separação. Banda de tributo: roupas, músicas e apresentações iguais às originais; banda cover, só toca as músicas mesmo.

Novamente, já vi ser chamado de covers, versões, reinterpretações, releituras, tributo e as vezes até “revival”. Mas o resultado é quase o mesmo, uma música sendo regravada por outro artista.

Mas e quando a banda se regrava? Em 2009 o Exodus lançou Let There Be Blood, a regravação do seu primeiro álbum, Bonded By Blood de 1986. Cara, eu curti MUITO Let There Be Blood, deu uma atualizada e revigorada nas músicas. As técnicas modernas de gravação e a qualidade do som fizeram com que, pra mim, fosse um disco novo. Pena que não tá no Spotify.

Capa do disco Bonded By Blood da banda Exodus
Exodus – Bonded By Blood (1986)_

Capa do disco Let There Be Blood da banda Exodus
Exodus – Let There Be Blood (2009)

Recentemente o Masterplan, projeto encabeçado pelo ex-guitarrista do Halloween, Roland Grapow, lançou um álbum intitulado PumpKings (2017). A proposta foi recriar clássicos do Helloween lançados entre 1993 e 2000, período que Grapow fez parte da banda. A ideia era dar uma nova cara para as músicas, com vocais diferentes e uma pegada mais pesada. No final eu não acho que ficou tão mais pesado assim, mas ai é opinião. O resultado é algo como mencionei no caso do Exodus, trazer para os tempos atuais músicas que têm traços bem datados por conta de limitações técnicas ou tecnológicas.

E aí, nesses casos seriam um “auto cover”? Ainda assim, prefiro regravações desse tipo do que as remasterizações genéricas que sempre aparecem por aí.

Seja qual for a proposta, sempre acho válido quando um cover/versão entrega a música com uma identidade diferente.

Bom, se você já leu até aqui já sabe o que esperar, né? Segue a playlist recheada de covers.

URI: spotify:user:flopes23:playlist:3aIj9DDiVnkqoTja1RIoaP
Link: https://open.spotify.com/user/flopes23/playlist/3aIj9DDiVnkqoTja1RIoaP

Obs.: A lista foi criada a mais de um ano a pedido da Digníssima!

 

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