Bodebrown

Cerveja, futebol e samba. Um paraíso, um sonho no imaginário coletivo da população brasileira.
Toda vez que me pronuncio para falar que vim do RJ, as pessoas abrem um sorriso e perguntam: “Ah, praia e cerveja o dia inteiro né?!”. Depois de um tempo desisti de sempre responder “Não, trabalhava o dia inteiro!”, hoje em dia só entrego um sorriso amarelo e sem graça. Pra mim, Cerveja e Samba andam juntas, na verdade até uma marca em especifico, aquela do rótulo azul, sabe? Até conhecer a Bodebrown, ao menos. Mas até sermos apresentados, foram tempos difíceis.

Você por acaso já viu uma propagando cerveja? Sei lá, na televisão, por exemplo? Cara, tem sempre uma mulher com bunda de fora, pessoas na praia pulando felizes, um sol da porra, alguém jogando futevôlei, várias pessoas com cerveja na mão e no final todo mundo grita em coro algo como: “Ai, que delicia!”.

Nada contra nada disso, mas não tudo junto!

Por um tempo pensei que não existia uma “cerveja rock ‘n roll”, nada que, pelo menos na minha cabeça, fizesse um par tão bem quanto o descrito a cima. Nem metal, nem nenhuma vertente. Na verdade essa é uma galera que não tá muito preocupada em absorver psicotrópicos por via oral – o negócio é usar tudo o que tiver pela frente e MORRER de overdose.

Até que vieram as cervejas “premium” ou “gourmet” ou “diferenciadas” ou “insira-aqui-seu-adjetivo”, e mudaram essa visão. A vida inteira de marketing de cerveja no Brasil nunca me pegou, mas enquanto morava no Rio “Hell” de Janeiro acompanhei o crescimento do mercado cervejeiro e pude dividir o publico de duas formas:

  • Interessados na arte da produção e degustação
  • Babacas que querem encher o meu saco

Conheci alguns do primeiro grupo: uns faziam curso de produção artesanal, outros iam freneticamente em eventos de degustação e alguns até arrumavam mini-garrafinhas para distribuir aos amigos. O mais importante, ninguém perturbava o meu juízo.

O problema é que o segundo grupo, que é composto por 95% da população mundial, é de pessoas que, não importa onde parem, tem que começar a palestrar sobre o maravilhoso mundo da cerveja. Pode ser no boteco de esquina mais IMUNDO do planeta, o desgraçado precisa descrever em ordem alfabética a composição da cerveja que estampa o pôster da parede, que, diga-se de passagem, é a mesma que falei lá no começo, lembra aquela do rótulo azul?

Quando me mudei para Curitiba descobri que aqui existe uma PENCA de produtoras regionais menores, artesanais e até “experimentais”. Todas muito boas, mas nada chega perto da experiência que tive quando conheci a Bodebrown.

Uma imagem simples, um fundo preto com um bode estampado em branco, eu achei tão sensacional a simplicidade, me lembrou muito as capas do Down (aquela banda do Philip Anselmo (aquele cara que era do Pantera)), mais especificamente algum disco de outra banda que também tinha um bode na capa, mas que me falha a memória.

O melhor de tudo, cervejas da Linha Bodebrown Growler. Eu fiquei extasiado, Growler? Pra quem não sabe, os vocais “guturais” ou “rasgados” lá fora são chamados de Growl (rosnar em inglês), ou Growlers. E isso tudo com um rótulo preto… E com um bode!! Eu fiquei perdidamente apaixonado. Ok, eu sei, eu sei… Growler é o tipo de garrafa, mas me deixa ser feliz? Uma vez na vida, pelo menos!

Não sei se isso tudo que escrevi são devaneios de uma mente – nada – desocupada, mas se alguém de marketing em algum momento pensou na marca dessa forma, parabéns, me atingiu! Tem gente que compra produtos da maçã; outros não compram, mas adoram os produtos do “pinguim livre”. Quanto a mim, depois de anos inserido na cultura da cerveja e futebol, encontrei uma marca que eu usaria feliz uma camisa… Preta… E  COM UM BODE!!!

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