Recomendação: Gojira – Magma (2016)

Capa do disco Magma da banda GojiraGojira fazia parte do seleto hall das “Bandas que eu não gosto, mas queria muito gostar”. Definitivamente deixou de fazer após o lançamento de Magma.

Comecei a ouvi falar de Gojira na época do lançamento de L’Enfant Sauvage (2012), lembro que o entusiasmo dos já então fãs consolidados me contagiou. Era como se essa banda estivesse revolucionando tudo o que conhecíamos como “Heavy Metal”, os comentários eram sempre enaltecedores, descrevendo como uma banda criativa, inovadora, genial – provavelmente o adjetivo mais usado nos últimos tempos – e que revolucionaria a música como a conhecemos. Era como se aquelas pessoas que já eram apaixonadas pela banda desde criancinha fossem felizardos por receber tamanha benção por conhecer o grupo francês.

Eu fui atrás, afinal de contas “banda fodona que é boa pra caralho e não vejo ninguém usando camisa por ai”, deve ser realmente boa. E cara, não lembro especificamente o que eu ouvia na época, mas sei que foi uma decepção tão grande que eu chegava a ficar triste quando ouvia Gojira em algum lugar. Depois de um tempo passei para a fase da agressividade como: “Como é que pode esse bando de imbecil gostar tanto dessa porra???”, até que a banda caiu em sono suspenso até o ano passado. Peguei o disco na época do lançamento, ouvi um pouco e ainda ficava de nariz torcido, mas já deu pra sentir que já falava mais a minha língua, então eu deixei lá no meio das minhas músicas na pilha de “Ouvir depois”, que fica ao lado da “Ouvir com calma”.

Cara, Magma é do caralho, um disco carregado e sombrio que passa uma sensação forte de peso no ar, chegando a ser quase depressivo. As guitarras rítmicas marcando os passos como uma marcha fúnebre soturna e desoladora, definitivamente deve ser a trilha sonora que toca no elevador que desce ao reino de Hades.

Ok, esse último parágrafo poderia ser para uma revista genérica, vamos voltar à programação normal.

Gojira chegou ao ponto aonde toda banda de sucesso chega um dia “Os discos antigos eram muito melhores”, mas definitivamente essa não é a minha opinião. Eu vejo hoje uma banda madura, com destaque e uma assinatura sonora extremamente característica, nesse sentido me lembra Lamb Of God, dentro das devidas proporções. Os vocais limpos amplamente usados especificamente nesse LP funcionam muito bem com esse ambiente carregado desenvolvido através das 10 faixas, as músicas lentas não incomodam, são curtas e ligam bem as faixas do disco. Em comparação com seus lançamentos anteriores, é um disco menos pesado e até mesmo menos “core”.

Magma não agrada qualquer ouvido, é um som fora dos padrões tradicionais – e até menos tradicionais, possui uma identidade muito própria, uns ritmos meio quebrados e um som não tão porrada que causa certa estranheza nos momentos mais frenéticos.

Se você já tem uma bagagem de Doom, Black, Sludge, Gótico/Punk, você vai gostar, senão gostar, já pode pelo menos dizer que tentou.

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