Born To Be Blue (2015)

Born To Be Blue é mais um filme sobre música; mais um filme sobre Jazz; mais um filme sobre dependências de narcóticos; mais um filme sobre personagens autodestrutivos. Se mudarmos o gênero musical, todos os filmes sobre músicos têm a mesma atmosfera??

Eu nunca fui um entusiasta de Chat Baker; na verdade, ouvi UMA vez um disco, e que ainda por cima era do tipo “The Greatest Hits” – bem genérico. Depois que assisti o Miles Ahead fui dar uma lida sobre Miles Davis, a ideia do filme,
quem eram aqueles personagens, o que era verdade e o que foi criado para a trama, e é claro que no meio das “Pesquisas relacionadas…” veio uma tonelada de referências a outros músicos e compositores. E no meio delas tinha um filme, Born to Be Blue, sobre ninguém mais, ninguém menos, aquele que foi pra mim durante muito tempo “o cara trompetista do CD azul acinzentado”.

Cara, não conheço a discografia do Chat, tampouco seus timbres, trejeitos e técnicas; não posso julgar o quão fiel o filme é à realidade, então eu assisti o filme sob a ótica de quem não conhece o músico e quer ser apresentado à algo novo. Assisti como espectador de cinema, não como fã inveterado de jazz.

E aí, o que você quer que eu diga? Que é um bom filme de drama ou que é um não tão bom filme sobre música?

Eu não terminei o filme com a sensação de conhecer mais sobre aqueles personagens, também não saí com uma gana incontrolável de ouvir e conhecer tudo sobre a carreira do Chat Baker. Ethan Hawke manda bem pra cacete no papel de um depressivo músico que vive às custas de um passado que parece nunca voltar. O filme mostra muito bem o desejo incontrolável de se resgatar um sucesso anterior, a dificuldade de se adaptar a uma vida totalmente diferente, sem o glamour e prestígio dos palcos; disposto a pagar qualquer preço para “voltar a ser eu”, como dito no filme.

Da interpretação de Hawke não se tem o que falar, é realmente muito boa; ele aprendeu a tocar trompete e a cantar para encenar, provavelmente alguma cena foi editada e sonorizada, mas pelo menos na maioria das cenas ele realmente aparece tocando. Mas o filme em si é bem morno e até previsível, é bem linear. O ar é meio pesado o tempo inteiro, a dúvida de quando ele vai usar heroína novamente é plantada logo no começo – vendo a vida que Chat teve até os últimos dias, é inevitável que o filme não fosse diferente.

Lendo sobre a sua biografia vi que ainda existe um outro filme, que parece ser mais recomendado, Let’s Get Lost’, de 1988, que aborda mais o auge da fama, filmado em preto e branco. Só não sei se é filme ou documentário; depois eu procuro, assisto e compartilho por aqui.

Em geral não é um filme que eu recomendaria. Acho que Miles Ahead cumpre melhor a tarefa de ser um puta filme e um filme sobre músico que desperta a curiosidade; terminei querendo ver as capas do discos, ouvir as músicas que ele menciona. Em Born To Be Blue, a imagem de um “junky fudido na merda” não me foi muito empática; já em Miles Ahead é retratado um “junky fudido na merda mega cativante”.

Depois, dá uma lida no texto sobre Miles Ahead aqui. Acabo falando de outros assuntos, mas vale a leitura.

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