Ser ou não ser, eis a questão…

… Ou se compro ou não vinis.

Essa semana houve em Curitiba a XX feira do vinil, e como é de se esperar tinha disco pra dar com pau!!

Uma das coisas que mais tenho visto por ai são pessoas felizes e faceiras com seus novas aquisições, vinis de 50 anos atrás, alguns mofados, outros com uma capa surrada, uns novos e impecáveis recém saídos da prensa. O que eu pensava? “Puxa vida, como essas pessoas são felizes com esse pedaço de vinil em formato redondo, também quero ser feliz assim!!”.

Ok, exageros a parte, comprar ou não discos de vinil nunca chegou a ser uma questão pra mim. Mas nos últimos anos ,quando comecei a ver CDs e Vinis dividindo espaço nas prateleiras, comecei a me perguntar se valeria a pena. É fácil perceber que começou a se popularizar, passou a ser mais comercial, mais lojas vendem, vitrolas modernas (essas duas palavras deviam ser proibidas de andarem juntas) começaram a aparecer, depois de um tempo pareceu ser uma boa ideia, afinal de contas, as pessoas que compram são sempre sorridentes.

Eu peguei minha câmera, saí de casa, e fui pensando em fazer uma série de posts “especiais” sobre os discos que ia comprar, contar uma linda história de amor que começou em um sábado ensolarado. Na minha cabeça um faz-de-conta se desenrolou e eu já pensava nas histórias que iria compartilhar com as pessoas do outro lado da barraca (fazer amizade com vendedores de varejo é sempre uma boa ideia).

Quando cheguei na entrada já via várias pessoas radiantes com suas sacolas quadradas e logo pensei que eu seria o próximo. Entrei no pavilhão e vi um For Those About To Rock do AC/DC, meu coração se encheu de esperança e felicidade ao saber que eu acharia coisas que gosto em vez de somente discos do Biafra, Raça Negra e Belchior. Essa felicidade durou 3 segundos: foi o tempo de pegar o disco, levantar até altura dos meus olhos e olhar o preço, 180 reais. Pensei que o valor TINHA que estar errado, até que o vendedor percebeu a minha cara de como se o que tivesse em minhas mãos fosse o Anticristo, e disse “Olha, se você for levar mais alguns posso te dar um desconto, beleza??”.

– COMO ASSIM LEVAR OUTRAS COISAS?!?!?!?!? PQP SEU FDP, ‘CÊ TÁ MALUCO?!?!?!?!

Foi o que pensei, quando na verdade respondi “Beleza…”.
Cara, eu tenho esse CD aqui em casa, sabe quando foi a última vez que o coloquei pra tocar? Não? Nem eu!! Inclusive custou 9,90 e comprei numa promoção daquelas gôndolas que ficam nas entradas de algumas lojas (você sabe quais).

Bom, pensei que talvez aquele disco tivesse alguma particularidade que fazia ele ser mais caro, afinal de contas, era um álbum qualquer, apesar de ser um dos clássicos do AC/DC. Continuei procurando, e conforme ia passando vi Slayer, Pantera, Sepultura, Metallica, Testament e as cifras se repetiam continuamente: 180, 120, 150, 190, 130, 150, 200, 180.

Foi o fim do meu futuro Eu sorridente, saltitante e serelepe com uma sacola quadrada. Depois que todos os meus sonhos foram arrancados das minhas mãos, caí na realidade e percebi que aquilo era uma histeria coletiva – ou todos tinham aprendido a defecar dinheiro menos eu.

Como eu já estava lá, continuei procurando; acabei descobrindo que todos os caixotes com placa de “1 por 20,00, 3 por 50,00” eram basicamente compostos de Biafra, Raça Negra e Belchior. Cheguei a achar disco que eu gosto demais como o Made In Japan do Iron Maiden ainda com Paul Di’anno, um dos melhores disco ao vivo que já ouvi, por 65 reais; um ao vivo do B.B. King com alguns dos maiores clássicos dele (que me fez chegar a colocar a mão no bolso pra pegar o dinheiro), por 95 reais; The Warning e Rage For Order do Queensrÿche também na faixa entre 60 e 80 reais. Cheguei a procurar algo do Pink Floyd, Rush e King Crimson para Digníssima, mas era só eu pensar em “Progressivo” que os preços automaticamente subiam 100 reais. Ainda tem a questão dos discos “raros”, remasterizados, importados, edições “limitadas” e afins, onde cada caso desse me faz pensar em 50 outras questões.

Eu entendo todos os motivos que as pessoas tem para comprar vinil, são os mesmos que os meus; mas o que eu vi hoje é surreal. Os mais baratos pareciam até que alguém tinha zuado a capa de sacanagem, eram tão velhas e surradas que em alguns casos mal consegui ler o nome do álbum, e alguns já vinham escrito “Com riscos”, “Sem encarte”, “Disco 2 empenado” – que pelo menos o vendedor teve a decência de avisar. Você pode me dizer: “Ah, a graça é você procurar um disco inteiro e por um bom preço! Tem que garimpar.” Desculpa, mas pelo visto achamos graça em coisas completamente diferentes, prefiro ouvir as piadas do Ari Toledo. Que diga-se de passagem tenho em CD, também foi 9,90.

Não faz muito tempo eu levantei a possibilidade de voltar a comprar CDs, ter a experiência de ouvir um disco pela primeira vez sem conhecer nada, olhar na prateleira, pagar e levar pra casa. Mas não sei se isso ainda faz sentido pra mim… lembro como era chato quando o disco não era tão bom, e convenhamos que ouvir umas faixas antes no Spotify pra ver se vale a pena meio que faz todo o processo perder a lógica. Pra ser sincero, eu não compro CD há um bom tempo, e toda vez que passo em alguma loja e vejo as plaquinhas com preços que chegam no máximo a 40 reais, fico balançado e quase compro; mas no final lembro da pilha que tenho em casa (e não ouço), acabo deixando de lado. Por que eu pagaria o dobro do preço, no mesmo álbum, porém em outra mídia?

No final das contas, saí do pavilhão, me direcionei ao parque com food trucks, comprei um copo “eco” por 10 reais, tomei uma cerveja por 12 reais e me dei por satisfeito. Saldo final, 22 reais gastos… Dava pra comprar um CD.

 

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