Entendendo [#3] Industrial Metal

Acho que o principal motivo que me fez efetivamente começar a escrever por aqui foi o intuito de entregar luz às mentes perdidas, mostrar um caminho até o conhecimento e elevação musical. Pfff… Tá bom, até parece que tenho condições de iluminar alguma coisa.

Uma situação que sempre foi comum em minhas conversas de bar eram as explicações sem fim para tentar definir uma banda, sabe? Não? Claro que sabe! É quando você escuta uma música e fica feliz da vida, mas quando mostra pra um amigo ele faz cara de nojinho e diz; “Nhé, não escuto mais isso, gostava mais quando eles tocavam Paranauê Metal”. Pois é, a minha ideia era tentar reunir as características que definiam as bandas em Determinados-Estilos e não em Outros-Determinados-Estilos. Ok, explicação dada então eu continuo, um dia eu tiro isso daqui.

Apesar de nunca ter falado de nenhuma banda desse gênero, o Industrial Metal foi um dos estilo que mais ouvi durante um bom tempo. Apesar disso, nunca fiquei sabendo de picuinhas como aconteceu na Bay Area no começo da década de 80 durante a formação das primeiras bandas de Thrash, ou na formação da primeira onda de Black Metal no comecinho dos anos 90 – muito provavelmente por ignorância minha.

Bom, mas qual é o lance dessa galera “industrial”, companheiro? Hã! Hã! ‘Tendeu?? Não?? Ok, essa foi péssima mesmo. Seguindo!

Foto de um galpão industrial

Sempre que escuto “Industrial” a primeira coisa que me vem a cabeça é uma imagem como essa de cima.

Mas vamos lá, que porra é Metal Industrial ou Industrial Metal – se você quer pagar de cult – afinal de contas? EEEEEU, particularmente, gosto de pensar que é um enorme estilo de experimentação, não é homogêneo, onde 150 bandas soam todas iguais; até porque é um gênero onde cada banda vai evoluindo de forma muito particular. Mas antes de falar de Metal Industrial em si, que tal voltarmos um pouco no tempo? Venha comigo e embarque nessa maravilhosa jornada… – hoje ta foda de piada ruim, foi mal! – … e vamos descobrir juntos!

Música industrial é algo que vem desde a década de ’70, e é exatamente isso: um estilo de som onde a ideia era mecanizar a música, incorporar elementos não convencionais que gerassem uma atmosfera eletrônica, mecânica ou até robótica. Foi nessa época que se definiu grande parte dos elementos do que viria a ser o Metal Industrial algum tempo mais tarde. Agora vem um comentário extremamente pertinente: toda vez que para para dar uma lida sobre algum estilo, algumas características sempre são citadas:

  • Era um “movimento” underground, de vanguarda e de contracultura
  • Incorporação de elementos de arte moderna contemporânea no visual
  • Definição do estilo de “roupagem” desapegado
  • Desprendimento e até repudia com convenções sociais

Sério, isso com relação a quase todo “movimento” de música que pesquisei para escrever um texto maior.
Bateria alternativa composta de latas e galõesA música industrial, em sua essência, não tinha o formato padrão de música, com instrumentos, vocais, melodias ou arranjos. Surgiu como evolução/derivação de artistas das décadas de ’50 e ’60 que faziam músicas repetitivas, minimalistas e, entre, aspas gigantes, “futurista”. Era um apanhado de objetos sendo usados como instrumentos, aglomerados de sons isolados e repetidos durante toda a faixa.
Não vale a pena entrar muito no mérito dessa galera e eu recomendo fortemente que você NÃO procure nada dessa época, sério, é uma porra-louquice do caralho!! Há quem defenda que a ideia da cultura industrial era – ou é ainda, vai saber – um movimento filosófico-cultural, uma forma de expressionismo pós-modernista abstrata que extrapola os limites da música, chegando ao ponto disso com o tempo ter evoluído para algo chamado “Noise”. Exatamente isso, barulho (em inglês), quem eram músicas baseadas em… Bem, barulhos? A menos que o seu TCC seja sobre experimentação musical, não vá até esses caras, é capaz de você não conseguir voltar normal.

Toda essa experimentação abriu caminho para o emprego de sintetizadores, ruídos, sons mecânicos e repetitivos, como parte integrante da música; com o passar do tempo foi surgindo algo mais trabalhado e rebuscado. Com a consolidação do Punk/Post-Punk, Hardcore, Rap e Eletrônico, as bandas começaram a tomar um caminho diferente, e isso tudo gerou o que convencionou-se chamar “Metal Industrial”.

– Você falou, falou, falou e no final não disse nada!!
– Tá com pressa?? To desenvolvendo a narrativa…
– Puta merda, anda logo com isso!!

Bom, vamos entrar nas explicações históricas.

Os grandes percursores: Throbbing Gristle, Non (Boyd Rice), Cabaret Voltaire, The Leather Nun, Surgical Penis Klinik e Clock DVA

Esses são os nomes que fizeram parte da chamada “Primeira Onda”, entre meados da década de ’70 e inicio da década de ’80. Era uma galera com visão anti burguesa, contra a ordem social, contra cultura, contra “mainstream”, e se por acaso isso te lembra alguma outra galera não é à toa! Musicalmente falando o desenvolvimento das músicas era muito mais parecido com o que falei ali em cima, músicas de certa forma compostas por barulhos, ruídos, gritaria, sons mecânicos e “naturais” (como passar uma lixa nas cordas de uma guitarra… bom, né?).

Resumidamente, é uma galera que serviu muito para mostrar que era possível fazer músicas experimentais que não estavam presas às ideias tradicionais de formato; algumas músicas já apresentavam a fusão com o eletrônico e vocais distorcidos, até. Essas bandas e todas as demais que gravaram na “Industrial Records” passaram a encabeçar a cena underground industrial e até indiretamente a eletrônica, se tornaram referência e influência para músicos que tinham como proposta as mesmas ideias musicais e estéticas.

Definitivamente era um gênero totalmente underground e com zero relevância popular, muito em razão de ser assim mesmo que os próprios artistas queriam: a ojeriza pelos holofotes era tanta que muitos faziam questão de não serem comerciáveis. Apesar de todo esse anonimato, o impacto em outro gêneros foi gigantesco.

PS.: Foi Throbbing Gristle quem cunhou o termo “Industrial Music”.

(Se você é fã das bandas de industrial da década de 80, não fiquei puto(a) e pule o próximo paragrafo)
(Se você não é fã, selecione o texto que ele magicamente vai aparecer pra você)


Rá! Eu sempre quis um texto grifado… Me sinto um Agente da CIA!
Foi na década de 80 que começou a sem-vergonhice, com o Pós-Punk, Eletrônico e Industrial se fundindo; originaram diversos subgêneros e filhotes da Música Industrial. O problema é que os subgêneros da geração seguinte já não tinham nada a ver com a galera anterior, ai virou uma bagunça do caralho! Por isso demorei tanto tempo para entender o que era industrial, porque foi justamente as bandas dessa época que eu peguei pra ouvir e elas não tinham nada a ver umas com as outras. Eu entendo que tem a evolução, revolução e blá blá blá, mas chegou ao ponto de algumas dessas bandas ter uma pegada de Synth Pop tão forte que parece que tô ouvindo Eurythimics. Outras fazem um som MEGA obscuro, que parece muito com o que temos de Doom ou Death Metal; algumas outras que pra mim são simplesmente bandas de Punk fora do seu tempo, e o resto parece projeto de dance mal feito. Dessa época a única que eu curto mais ou menos é KMFDM.

Vamos ao que importa! Depois disso tudo, o que definiu o Metal Industrial como conhecemos?

Três nomes; Oomph!, Megaherz, Rammstein, todas as três alemãs (depois que o muro caiu deve ter sido uma loucura…)

O jeito mais fácil de descrever e caracterizar o Metal Industrial como o conhecemos é o seguinte – vou simplificar pra não cair na letargia – , pegue o caderno e tome nota:

  • Basicamente músicas de Heavy Metal ou Rock bem pesado com acréscimo dos próximos pontos (essa foi fácil):
  • Efeitos eletrônicos bem presentes;
  • Bastante uso de teclados/sintetizadores;
  • Vocais ocasionalmente distorcidos, às vezes robotizados;
  • Ritmo bem marcado, quase martelado, lembrando algumas levadas eletrônicas;
  • Além do ritmo martelado, normalmente é bem acelerado;
  • Normalmente os caras se apresentam vestidos como metalúrgicos do inferno.

E aí, ficou na mesma né?

A menos que a banda tenha uma pegada MUITO forte em cima disso que falei, as músicas simplesmente viram “Metal com muito eletrônico pro meu gosto” sabe? É subjetivo, não é algo marcante como Black Metal, Gótico ou Sertanejo – hahaha, não resisti! – que você bate o ouvido nos caras e já dá pra saber do que se trata; quando você vê os metalúrgicos do inferno aí você tem certeza.

140428-toronto-goth-clubs-nightlife-gothic-bars-1Esse é outro ponto: eu acho que o Industrial como um todo tem uma importância gigantesca no imaginário coletivo da “boate gótica”, sabe?

Não? Claro que sabe! Todo filme quando retrata uma galera underground, indo em algum bar, descendo por aquela porta no chão, e quando se entra é um lugar cheio de fumaça com um balcão enorme, tocando uma música eletrônica ensurdecedora ou simplesmente muito barulho aleatório, CHEIO de gente usando látex, cabelo colorido, piercing, pessoas deliciosamen… digo… eroticamente seminuas, luzes e strobo piscando de forma ensandecida. Ahhh, agora você lembrou, né? Isso pra mim é total trio Gótico/Punk/Industrial, me causava estranheza tocar eletrônico com pessoas de preto e “dark”, até entender o espaço do Industrial nas cenas underground pelo mundo. Ou não, posso estar só falando merda e tudo ser apenas
influência de Eletrônico (pura e simplesmente)… Bom, nesse caso, não me importo. Seguindo!!!

Eu sempre acho que a melhor forma de se descrever um tipo de música pra alguém que não é familiarizado, é… Bem, colocando pra tocar? Pra mim… Veja bem animalzinho, eu disse PRA MIM, uma das referências mais fortes de industrial metal é Rammstein. Vocalista do Rammestein no palco. Com fogo. E uma jaqueta de metal.Então se você conseguir responder qualquer uma das perguntas abaixo, é porque o potencial do que você está ouvindo ser industrial é gigantesca.

  • Parece com Rammstein?

Ok… Achei que tinha outras, mas só essa é o suficiente.

Como falei no começo, não é um gênero definidinho, cheio de regras; é bem subjetivo, e vai depender muito de como a banda/artista se apresenta. Algumas bandas têm discos mais light, outras bem hardcore/punk, e algumas com uma influência fortíssima de eletrônico – inclusive isso abre precedente pra cada um interpretar de um jeito, pra algumas pessoas determinadas bandas são de EBM, pra outras são de Nu-Metal (new… neo…aquela porra de sempre).

(Explicação rápida: EBM é o industrial pra quem quer dançar)

Simplifiquei o suficiente? Então, no final das contas, vai tudo depender muito do marketing e de como querem se vender. Me apresentaram Nine Inche Nails meio que “Se você gosta de Rammstein e Megaherz, então você vai gostar disso” e o disco que me deram me soava muito mais como Alternativo do que como Industrial; não lembro qual era, mas quase taquei numa parede. Marilyn Manson é a mesma coisa, tinha gente que falava que era Nu-Metal, outros Industrial, outros Alternativo e pra mim sempre foi um estilo próprio… Louco.

Se mesmo depois deste maravilhoso texto você não entender muito bem que porra é Metal Industrial, sabe o que fazer né? Traz umas cervejas… Red Ale, de preferencia…. Muitas, de preferencia!! Aí sim eu te explico tudo de novo, com a maior paciência do mundo – ou nem tanta assim dependendo do dia, mas explico!!

Agora vem a melhor parte, lista… LISTAAAAAAAAAAAAA!!!
Já testei e tá funcionando super bem, dá uma ouvida e depois deixa aí os comentários, em caso de dúvidas e-mail-me.

PS1.: A lista tem só o que hoje é convencionado por INDUSTRIAL METAL, as influências mais antigas ficaram de fora.
PS2.: KMFDM e Nine Inche Nails estão inclusas, que apesar de estarem ligeiramente fora da minha proposta, as músicas cabem.
PS3.: Na lista tem as músicas que eu gosto, se você não gosta manda e-mail pro dono do blog pra reclamar.

Link:https://open.spotify.com/user/flopes23/playlist/3XhDHoyDB3BDVxttXHGbXl
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Um comentário em “Entendendo [#3] Industrial Metal

  • 12/01/2017 em 13:28
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    Então agora sei que gosto de industrial metal 😀 DHASUIHASDUI
    Continue com esses posts, ajudam muito!

    Resposta

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