E agora? Fiquei velho? [Parte 2]

Continuando o desabafo iniciado aqui, eu precisava falar de mais um aspecto de ficar “velho” – na verdade, tô tentando entender se o problema é ficar velho ou só ter sido afogado por uma enxurrada de banda bosta no último ano. Conforme comecei a escrever no blog, passei a procurar bandas que normalmente eu não procuraria, outros gêneros, umas mais undergrounds, outras conhecidas (mas ainda fora da mídia), enfim, agradar essa plateia maravilhosa que me acompanha todo dia. Mas o principal era ir atrás do que tá tocando por ai, acompanhar gravadoras, “autoridades” da área e qualquer coisa que pudesse me indicar o que o pessoal vem consumindo mais.

Mulher velha vestida como a Cindy Lauper e fumando charuto

Ao mesmo tempo em que as bandas mais novas citam as mesmas influencias de ’90 e ’80, no meio do caminho aconteceram várias aberrações. A não tão breve era do Pop-(Post)-Punk-Rock deixou umas cicatrizes; o EMO passou e ninguém nem sabe onde foi parar; Screamo foi um negócio tão bizarro e ruim que todo mundo tem vergonha; Nu-Metal (neo ou new, dependendo do seu gosto) veio com tudo e sobrevive até hoje, mas conseguiu deixar um belo rastro fecal por onde passou. Veja bem, sempre existem as bandas que se sobressaem, separando o joio do trigo, mas os movimentos em si não foram tão valorosos assim. Sempre dou exemplo da galera do Thrash Metal da Bay Area, que só tem meia dúzia sobrevivendo bem capenga (Metallica e essa galera, sabe?). Apesar de hoje em dia o Rock ‘n Roll não ter grandes astros como nos seus tempos áureos – muita banda por aí faz sucesso e enche o rabo de dinheiro – a maioria não pega o público mais velho; no meu tempo de colégio/faculdade lembro de ver uma galera curtindo um som pesado, mas nada que chegasse ao peso do Metallica, Pantera ou Sepultura. Tá conseguindo me acompanhar ou já se perdeu?

Vamos à uma rápida aula de história musical, prepare-se para uma leve letargia!

Black Sabbath era pesado na sua época, blz? Mas depois se você compara com Motörhead, já não é tão pesado assim. Um pouco depois, comparar Motörhead com Metallica, Metallica com Sepultura… e por aí vai.

Estamos juntos ainda? Então continuemos.

A minha perspectiva sempre foi essa, a nova geração ia ficando cada vez mais “pesada” e “rápida”… mas hoje em dia é uma loucura! As bandas são pesadas, mas os caras parecem os Backstreet Boys do inferno (no texto anterior eu falo mais sobre essa questão do peso; para de preguiça e vai ler aqui e depois volta, eu espero!)!!

Avenged Sevenfold é um dos grandes nomes do rock atualmente, grande parte de todo esse novo movimento de música “pesada” para um publico mais teen é responsabilidade deles, mas infelizmente não é feito pra mim. Lembro que durante o breve “movimento” Emo (ou pós-pós-post-punk-rock) a impressão que eu tinha é que a galera se identificava como Emo, como parte de uma subcultura específica, não como galera “metal”, como rola hoje em dia. Tem uma enxurrada de bandas com essa pegada, e o que me incomoda,principalmente, são os vocais. Killswitch Engage é uma banda que tem mais ou menos esse formato mais atual, mas uma coisa que eu gostava demais eram os vocais mega graves e limpos do Howard Jones. Mesma coisa com Trivium, os vocais não parecem tanto um adolescente com prisão de ventre (apesar do segundo disco ser onde acho que a banda encontrou seu caminho definitivo, mas tava numa linha tênue de ser uma banda duvidosa)

Outro dia vi um moleque que aparentava ter em torno de 16/17 anos, com a camisa do Asking Alexandria, pensei cá com meus botões: “Bom, já tem um tempo que vejo o pessoal falando dessa banda, vamu vê colé.” Cheguei em casa naquele dia e coloquei pra tocar… na verdade deixa eu colocar agora…

Então. O som é realmente bom, muito bem feito, bem produzido e etc. Os caras tocam bem, é tudo bem encaixado, tem peso, tem velocidade, tem técnica, mas a impressão que eu tenho é: Essa é uma banda que nasceu em solo EMO e NU-METAL, tem toda uma herança de bandas que tocam em rádio. O reflexo disso? É um som muito mais aceitável, comercialmente vendável, parte do grupo de bandas que vendem muito por conta de hits, e não por causa de bons discos (lembre-se da regra do disco inteiro). Não é pra mim, me sinto uma menina de 15 anos ouvindo isso (nada contra meninas de 15 anos, hein? É só lembrar que eu NÃO SOU UMA!!!).

Cara, todas essas bandas com nome composto, tipo Pierce The Veil, parecem que são formadas por 4 Justin Bieber juntos (ISSO SIM deve ser a visão do inferno!!). Não rola pra mim. Já tentei ouvir, eu juro, mas não consegui ouvir o disco inteiro, não me desceu de forma alguma! Atualmente tenho tido contato com um pessoal bem mais novo que eu, e eles adoram tudo isso, pra eles esses são os grandes nome do Rock n’ Roll atualmente. Eu não tenho problema nenhum com isso, se algum dia alguém quiser gravar um programa comigo falando justamente sobre essas bandas, eu topo numa boa. Daqui um tempo eu volto a ouvir pra ver o que mudou; muitas bandas que no primeiro disco eu detestei, no terceiro já eram algo mais profissa’. Tem uma dessas bandas que eu nunca achei que ia ouvir e gostei bastante do disco, em outro momento mando por aqui (shhhhh!! é segredo!!).

Para minha sorte, sempre tem banda por aí fazendo um som do caralho, que quando começo a ouvir as primeiras notas e a porradaria, abro um sorriso sacana bem devagar e penso “Isso sim!”.

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