Mudança de direção ou som

Eu não vou conseguir falar de um disco especifico, né?

Da última vez eu simplesmente queria indicar o The German Panzer, no final saiu um texto sobre supergrupos e afins. Agora eu comecei a ouvir o disco novo do Drowning Pool, que eu já tinha acostumado com a voz do Ryan McCombs, mas com o vocalista novo o som ficou diferente novamente e não gostei muito, tava acostumado demais em como o formato estava. A minha alternativa foi seguir o antigo vocalista, que voltou pro Soil, que faz um som já mais parecido com o que eu procurava.
Mas veja que atitude madura da parte deste que vos fala, dei play no disco, não gostei, parei de ouvir e fui ouvir algo do meu agrado. Viu? Quanta maturidade, postura e auto-conhecimento? Mamãe ficaria orgulhosa. O meu espanto veio quando quando parei pra dar uma lida em um review, e o cara demonizava justamente o período da banda que mais gosto, enquanto enaltecia os dois últimos lançamentos chechelentos com o vocalista novo. “Ó Deus, o que faço? Como pode alguém no mundo ter uma opinião diferente da minha? Não posso aceitar isso, preciso xinga-lo até a exaustão.”

Isso me fez refletir por horas a fio… Ou alguns minutos.
Todo mundo tem alguma banda favorita, mas somente em uma fase especifica. Geralmente as pessoas se apegam ao material antigo, por razões afetivas, emocionais, psicológicas, modinha ou simplesmente só de sacanagem. Existe o contraponto também, pessoas que recém descobrem a banda e não curtem o material de 20 anos atrás e passam a ouvir tudo que é lançado daquele ponto em diante.

Eu mesmo me enquadro em ambas situações.

Lembro quando fui a primeira vez a um show do Dream Theater, foi a tour do Systematic Chaos, (2007), e cara, enquanto esperava na fila conheci uma galera mais xiita, estavam reclamando do disco anterior (Octavarium) e em algum momento eu ouvi a frase; “Todo mundo começou ouvindo nessa porra né?? Esse disco é HORRÍVEL.” E o pior, eu nem fazia ideia do que eles estavam falando, eu tinha acabado de conhecer a banda, tinha ouvido tudo, mas não era apegado a nenhuma fase especifica, pra mim era simplesmente uma banda com uma variação grande entre os discos, o que pra mim era ótimo, na mesma banda eu tinha material mais pesado, mais técnico, mais melódico, mais progressivo, enfim, mas para aquele cara cheio de espinhas, da cabelo fedido e camisa preta desbotada, isso era uma afronta. Fiquei bem quietinho para não ser agredido, vai saber né.

Pra mim, essas diferenças entre as formas de cada disco tem uma explicação simples, AS PESSOAS MUDAM!!! Os gostos, as influencias, as experiencias, as técnicas, tudo muda e tudo evolui. Eu não sei se você sabe, mas uma banda em media é formada por mais ou menos 5 pessoas, que são seres humanos, normalmente pensantes – isso nem sempre é regra – e que estão tendo novas experiencias todos os dias. As vezes são só drogas, mas ai é outra conversa.

Mudança de direção ou som

Determinados “artistas” possuem carreiras lineares; alguns chamam de mesmice e outros de coesão, mas o que importa é, são músicos/banda que você tem sempre CERTEZA o que vai ouvir no próximo disco. AC/DC é um exemplo notório, se você ouviu um álbum, você ouviu todos. Isso pra mim não é um problema, eu adoro essa porra, um tipo de som marcante, facilmente reconhecível, é o meu porto seguro, não importa o disco que eu vá ouvir, sei o que me espera. Sem contar que eu gosto da banda, talvez não tenha ouvido todos os 523 discos ainda, mas até agora acho que gosto de todos.

O contra ponto disso são as bandas que você pega um disco, coloca pra ouvir, aperta o play, senta no sofá, se serve de uma dose de whisky, começa a ouvir a música tocar e pensa: “Que porra é essa?” Se for um disco físico você cata a capa pra ver se tá certo mesmo. Pronto, fodeu, você tá escravizado aos álbuns antigos.

Machine Head, nos primeiros anos são bem pesados, com músicas fortes e para o primeiro lançamento de uma banda nova, é uma puta sonzeira. Os dois primeiros álbuns são quase uma evolução do thrash e hardcore da bay area, um som do caralho que abriu caminho para uma porrada de outras bandas seguir uma direção diferente além do que já existia. Mas chegando ao fim de da década de 90′ quando o nu – new, neo ou seja lá como você chamar – reinava absoluto, a banda tomou outra direção. Passou a incorporar aquele baixo com 5 ou 6 cordas, pegada “rap metal”, gemidos gratuitos e outras peripécias e merdinhas que eu ODEIO com toda a minha alma.

Não sei dizer ao certo como foram de vendas, show e etc, mas como o que a gente tá falando é a relação do publico com essas bandas, lembro de não ler muita coisa positiva sobre essa época. Era obvio que a mudança no estilo era pra tentar alcançar um mercado que estava em alta, mas EU não curtia, até hoje são músicas que não digiro muito bem.

Pouco depois o som amadurece, elementos de progressivo são incorporados e com The Blacknening (2007) o som volta a ter peso e formato descente, estava em alta os estilos “melódicos” e o metalcore dava uma nova roupagem para o metal. Isso tudo culminou em um dos meus discos favoritos, Unto the locust (2011). Cara, é muito redondo, é extremamente pesado, muito bem executado, com um som limpo, bateria ANIMAL com umas viradas que são absurdas, ele inteiro é rápido. Lembro de ter lido em algum lugar que eles tinham gravado o primeiro disco de Melodic Thrash Metal, ai já é demais, mas a comparação foi muito boa.

Esse é um exemplo do que é mais ou menos padrão, um arco com três fases. Pode reparar, isso acontece MUITO, as vezes uma das fases é a parte merda, outras é só uma barriga com discos terríveis, mas raramente uma banda tem uma carreira ascendente ou simplesmente linear, a não ser quando é linearmente merda. Mas o problemas é o público, não as bandas.

O ser-humano tem a necessidade de amar qualquer merda, ele precisa viver seus gostos, ele tem que ser seus gostos e essa galerinha do metal é pior ainda. Ninguém pode falar mal da banda que o cara gosta, que ele sai chorando, vai pra casa e te xinga no twitter. Se a banda grava QUALQUER coisa diferente do que ele gosta, fodeu, a missão de vida do sujeito vai ser reclamar que a banda se vendeu, que não é a mesma coisa, que esqueceu as origens… Da cansaço só de pensar.

Cara, a lista de bandas que mudam com o passar do tempo é quase infinita, as vezes o repertório varia tanto, determinadas fases possuem estilos tão característicos, que é até injusto rotular a banda inteira como um único gênero.
Não temos o que fazer, eu mesmo sou um apreciador de bons álbuns, não me importo muito com um disco temático, epopeias épicas desenroladas no decorrer de 60 minutos através de 10 músicas. Eu gosto de ouvir um disco com começo, meio e fim, que eu termine de escutar e fique com a sensação de satisfeito, que não sobrou e nem faltou. As vezes até mesmo quando a banda é merda, eu paro pra ouvir o que tem de novo, quando escrevi o post sobre Djent foi assim, 2 ou 3 bandas ali do meio que eu já tinha ouvido e tinha odiado, o som tinha se tornado algo mais aprazível depois de 2 ou 3 lançamentos. As bandas amadureceram e o som estava menos mecanizado.

Eu trato cada álbum como uma peça única; “Esse funciona, mas esse outro já não funciona”.
Cada lançamento é o retrato de um momento, então pra que vou guardar um disco que eu não gosto? Mesmo que seja de uma banda que eu gosto MUITO, vou guardar só pra ocupar espaço? Mas e se for digital, vou manter na minha galeria só para lembrar que eu não gosto?
Você conhece alguém que entra numa loja de roupa, olha uma jaqueta horrorosa compra “só de raiva” e diz que vai levar pra casa pra colocar fogo?

Cara, “let it go!”. Se a banda tá uma merda, vai achar outra, todos os dias são quinhentos lançamentos por ai, não é possível que nenhum lhe agrade.

Bom, fica ai um listão, intercalando algumas fases diferentes de algumas bandas, tentei dar uma variada pra não ficar só primeiro e último disco de cada uma .

Link: https://open.spotify.com/user/flopes23/playlist/3QStj6vSWNIHXe9rNmdoKg
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