Bandas que se separam: Agraciados pela desgraça alheia

Vale ressaltar que essa conversa sem fim é ideal para começar as 01:30 da manhã, depois de muita cerveja e antes da discussão sócio cultural do equilíbrio politico totalitário (ou total falta de), na Republica Democrática do Congo.

Pois bem. Às vezes lemos em algum lugar aquela terrível notícia: “Vocalista Fulano Smashedface deixa banda após 10 ano de estrada” ou “Após brigas e tumulto, guitarrista Beltrano Warhammer é convidado a se retirar da banda”. Existem alguns sites de metal em particular que são dedicados à fofoca musical. Eu os chamo de “Caras do Metal” (hein? hein? sacou? sacou?)

Ocasionalmente você recebe a notícia de que Fulano agora tem uma nova banda! Ou de que Fulano e Beltrano estão com uma nova banda. Nessas horas eu sempre penso: “Puta merda, como eu gosto quando alguém é expulso!!!”. E que bendita seja a famigerada Diferença Criativa/Artística!!

Se até este ponto você não tá entendo onde quero chegar, explico melhor.

Uma coisa que eu sempre fiz foi caçar de onde vem ou pra onde vão os integrantes de uma banda; assim sempre descubro algumas bandas muito boas, outras nem tanto, algumas um lixo completo. Mas nem sempre essa foi uma busca fácil. Houve um tempo distante quando você só ficava sabendo de novos lançamentos através de revistas (se você é um pouco mais velho, só com zines), ou conversando com o vendedor-camarada-da-loja-de-metal; fora isso, era quase impossível descobrir coisas sobre o meio.

Lá pra idos dos anos 90, Max Cavalera saía do Sepultura, achávamos que já era:”Perdemos nossa banda! Seus maniacos!!”. Em 1998, um amigo me disse que eu precisava ouvir a banda do Max Cavalera. Na época eu não gostei nem um pouco, muita pulação, muito “moda foca”, muito nu-metal pro meu gosto. Eu queria ouvir Roots, Arise, Territory, coincidentemente coisas que eu nunca mais ouvi no próprio Sepultura. Enquanto isso, Derek Green assumia a frente da banda tupiniquim. Estava feito, duas bandas coexistiam abordando os mesmos conceitos e temas.

Em 2005 é lançado um dos discos que mais gosto, Dark Ages do Soulfly. Daí pra frente passei a acompanhar todos os lançamentos. A modinha nu-metal-adidas já havia passado e sido enterrada, como devidamente merecido, e as banda que sobreviveram fizeram por onde e se adaptaram a um novo contexto; um ano mais tarde foi lançado Dante XXI, desta vez do Sepultura. A partir desse momento eu tinha duas bandas pra aguardar lançamentos, seja pra amar ou tacar pedras (fezes, dependendo do caso).

Moisés com as tábuas dos dez mandamentos, do Metallica e do MegadethAcredito que outra banda e seu filho bastardo, que ocasionalmente viram debate politico são o Metallica e Megadeth. Confesso que nunca entendi muito bem todo alvoroço em torno do Dave Mustaine ter sido expulso da banda; tudo bem que ele tava lá no começo e escreveu algumas musicas do Kill ‘em All; mas cara, ele não estava nem na gravação do primeiro disco, foda-se né?? Mas enfim, não satisfeito ou só de raivinha, ele teve que criar a própria banda (com jogos e prostitutas). Confesso ainda que nunca fui muito fã de Megadeth, apesar de já ter ouvido bastante as clássicas. Comecei a ouvir mesmo por volta de
2007, com o lançamento do United Abomination, um disco que gostei bastante. Foi quando resolvi conferir as cenas dos capítulos anteriores.

De qualquer forma, não vejo muitas similaridades entre as bandas, mas as duas estão aí. Um cara foi expulso e você automaticamente ganhou outra banda para ouvir… Ou reclamar! A primeira vez que percebi o quanto é benéfico para mim para o mercado fonográfico quando músicos trocam caricias, foi quando me dei conta que Luca Turilli tinha saído do Rhapsody. Um dos primeiros discos que comprei foi o Legendary Tales (1997) do Rhapsody.

Capa do álbum Legendary Tales, do Rhapsody

Sinceramente, faz tempo que não escuto, deve ser bem mais ou menos. Mas pra quem jogava RPG era um prato cheio. A capa (tosca) com um bárbaro (bizarro) lutando contra um dragão (igualmente bizarro), as músicas, os temas, os títulos. Não sei como o CD não furou de tanto ouvir. Vale ilustrar essa preciosidade com sua capa, para aqueles que não tiveram a maravilhosa oportunidade de contemplá-la.

Hoje em dia a banda se chama Rhapsody of Fire. Por um curto período de tempo achei que tinha mudado por questões legais, para mais tarde descobrir que Luca Turilli deixou a banda, veja você, e fundou uma nova chamada Luca Turilli’s Rhapsody.

Recentemente ouvi os últimos discos das duas bandas, de 2013 – ano em que ambas tiveram um lançamento –  e são álbuns excelentes. Existem as diferenças, claro; de um lado aparecem mais melodias e do outro mais orquestra, que podem agradar ou desagradar conforme o gosto de cada um; mas no geral, pra mim, é como se a banda tivesse se duplicado.

Um causo que não posso deixar de ressaltar foi o circo que o Queensrÿche se tornou alguns anos atrás. A banda se separou, e o ex-vocalista Geoff Tate conseguiu levar a outro patamar essa história de banda que se divide. Não satisfeito em sair (ou ser expulso, dependendo do ponto de vista), o engraçadinho ainda tentou levar o nome da banda com ele. O que um juiz maroto declara? Os dois podem usar o nome até ser decido com quem fica. Resultado? Duas bandas diferentes lançando disco sob mesmo nome: Frequency Unknown (2013) – Geoff Tate sai da banda e grava esse disco; Queensrÿche (2013) – O disco gravado pelo restante da banda.

Para esclarecer: posteriormente os direitos sobre o nome ficaram com a formação antiga,  e Geoff Tate adotou o nome Operation: Mindcrime.

Pra fechar, vale uma menção ao Ashes of Ares, banda encabeçada pelo Matthew Barlow, ex-vocalista do Iced Earth. Pra quem sente falta dele em sua antiga banda, ta aí, agora, a banda nova.

Acho que dessa vez não precisa de lista no Spotify, até porque nenhuma banda aqui é novidade.

Se tiver algum tumulto que nos gere novos álbuns, compartilhe conosco aí nos comentários, fazfavô.

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